Problemas com Calhas e Rufos: Vazamentos e Infiltrações São Frequentes Quando Mal Instalados
- Eduarda, da Pórtico

- 25 de mai. de 2025
- 4 min de leitura

Na construção civil, calhas e rufos são muitas vezes negligenciados em projetos e execuções, apesar de seu papel essencial na preservação da integridade da edificação. Quando mal dimensionados ou instalados de forma inadequada, tornam-se fontes recorrentes de vazamentos, infiltrações, apodrecimento de estruturas e degradação precoce de materiais construtivos. Este artigo busca aprofundar a análise técnica sobre esses elementos, seus mecanismos de falha e as melhores práticas para garantir sua eficiência e durabilidade.
1. Funções técnicas e estratégicas das calhas e rufos
Calhas: gestão do escoamento pluvial
As calhas são componentes do sistema de drenagem pluvial, responsáveis por coletar a água das coberturas e conduzi-la de forma controlada até os condutores verticais e, posteriormente, ao sistema de escoamento da edificação. Além de evitarem o respingamento em fachadas e muros, também protegem as fundações contra umidade excessiva, reduzindo a possibilidade de recalques diferenciais e erosões localizadas.
Rufos: proteção das interfaces construtivas
Os rufos são chapas metálicas (ou moldadas in loco com argamassa polimérica ou manta aluminizada) que vedam pontos críticos da edificação, como o encontro entre planos de telhado e paredes, chaminés, shafts e platibandas. Sua principal função é impedir a entrada de água por fendas naturais da arquitetura.
2. Causas recorrentes de falhas em sistemas de drenagem
2.1. Dimensionamento inadequado
Calhas e rufos devem ser dimensionados com base em dados pluviométricos da região, respeitando os parâmetros estabelecidos pela ABNT NBR 10844. A negligência nesse cálculo resulta em calhas subdimensionadas, incapazes de escoar o volume de água em chuvas intensas, promovendo transbordamentos e danos a rebocos e alvenarias.
2.2. Ausência ou erro de caimento
A inclinação mínima recomendada é de 1% para garantir o fluxo contínuo da água. Calhas sem caimento ou com inclinação invertida causam acúmulo de água, propiciando corrosão, deformações e vazamentos pelas juntas.
2.3. Fixação deficiente e dilatação ignorada
Instalações com espaçamento irregular de suportes, ausência de folgas para dilatação térmica ou parafusos aplicados de forma incorreta favorecem a deformação do sistema e a perda de estanqueidade, principalmente em regiões com variações térmicas significativas.
2.4. Detalhamento incorreto nas sobreposições
As sobreposições entre segmentos de calhas e rufos devem seguir o sentido da água, com recobrimento mínimo entre 5 a 10 cm, dependendo da inclinação e do local de aplicação. O uso de silicone inadequado, má soldagem ou peças desalinhadas contribui para infiltrações ocultas e recorrentes.
2.5. Falta de manutenção preventiva
É comum que calhas sejam obstruídas por folhas, detritos ou ninhos de pássaros, o que compromete completamente o escoamento. A ausência de inspeções periódicas potencializa patologias silenciosas que se manifestam apenas quando os danos já são extensos.
3. Sintomas de falha e seus desdobramentos construtivos
A seguir, os principais sinais clínicos que indicam falhas nos sistemas de calhas e rufos:
Manchas de umidade em tetos e paredes internas próximas à cobertura;
Escurecimento de forros de gesso e presença de mofo e bolor;
Apodrecimento de beirais, caibros e vigas de madeira;
Eflorescências salinas em paredes externas;
Deterioração de rebocos e pintura descascando em fachadas;
Umidade ascendente por saturação contínua de fundações.
A negligência desses sintomas pode evoluir para comprometimento estrutural de elementos da cobertura, perdas patrimoniais e custos elevados de recuperação.
4. Boas práticas de projeto e execução
4.1. Diretrizes de projeto
Calcular a área de contribuição da cobertura e o índice de precipitação máxima local para definir o perfil e número de calhas;
Prever caimentos compatíveis e locais de deságue com fácil acesso para manutenção;
Prever elementos de proteção como crivos ou grelhas para minimizar obstruções;
Especificar materiais duráveis e compatíveis com a agressividade ambiental (ex: alumínio para regiões litorâneas).
4.2. Execução qualificada
Utilizar suportes adequados espaçados a cada 60 a 80 cm, com nivelamento preciso;
Garantir sobreposições seguras, vedadas com mastique elástico compatível com o material;
Realizar testes de estanqueidade antes da entrega da obra;
Treinar a equipe de obra com foco em detalhes construtivos e cuidados durante o manuseio.
4.3. Manutenção periódica
Limpeza semestral ou trimestral de calhas e condutores, especialmente em períodos chuvosos;
Verificação visual de pontos de corrosão, desprendimento e acúmulo de resíduos;
Reaperto de fixações e substituição de elementos danificados.
5. A importância do diagnóstico técnico especializado
Quando os problemas persistem, mesmo após manutenções superficiais, é essencial contar com a avaliação de um profissional habilitado. O diagnóstico técnico pode envolver:
Inspeção detalhada por drone ou câmera endoscópica;
Testes de estanqueidade com simulação de chuvas;
Mapeamento térmico por termografia em coberturas;
Avaliação da patologia de umidade por infiltração capilar ou percolação.
Com base no diagnóstico, o engenheiro pode propor intervenções corretivas pontuais ou substituições sistêmicas, sempre com base em critérios técnicos e econômicos.
Considerações finais
Calhas e rufos são peças-chave na defesa da edificação contra os danos causados pela água. Embora muitas vezes invisíveis aos olhos do cliente final, sua correta execução é determinante para a longevidade da construção. Investir em projeto técnico, materiais de qualidade, mão de obra capacitada e manutenção programada é adotar uma postura preventiva a mais inteligente e econômica na engenharia civil.
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