Microfissuras em Concreto: Como Bactérias Podem Reparar Automaticamente as Estruturas
- Eduarda, da Pórtico

- 1 de mai. de 2025
- 3 min de leitura

O concreto é considerado o material de construção mais utilizado no mundo devido à sua resistência, versatilidade e custo-benefício. No entanto, sua durabilidade é frequentemente comprometida pelo surgimento de microfissuras pequenas aberturas que, apesar de discretas, servem como porta de entrada para agentes agressivos, acelerando processos de degradação estrutural.
Em resposta a esse desafio, a engenharia civil contemporânea avança rumo a soluções inovadoras, como o concreto autorregenerativo um material que emprega a biotecnologia para reparar suas próprias fissuras.
1. Microfissuras: um desafio silencioso para as estruturas
As microfissuras surgem tanto por processos naturais (retração térmica e secagem) quanto por solicitações mecânicas (sobrecargas, vibrações e esforços dinâmicos). Apesar de inicialmente inofensivas, essas fissuras:
Comprometem a impermeabilidade do concreto;
Facilitam a corrosão das armaduras internas;
Aceleram reações deletérias como a reação álcali-agregado (RAA);
Reduzem a vida útil da estrutura.
Tradicionalmente, a manutenção dessas manifestações exige inspeções periódicas, mapeamento de fissuras e intervenções manuais — processos onerosos e, muitas vezes, reativos.
2. O conceito do concreto autorregenerativo
O concreto autorregenerativo insere um novo paradigma na engenharia: a manutenção automática e autônoma de pequenas avarias. A ideia central é incorporar micropartículas contendo esporos bacterianos e nutrientes ao concreto ainda fresco. As bactérias permanecem inativas até que ocorra uma fissura que permita a entrada de umidade.
A partir desse momento:
A água infiltra-se pelas microfissuras;
Os esporos bacterianos são ativados;
As bactérias metabolizam os nutrientes disponíveis (normalmente lactato de cálcio);
Como subproduto metabólico, ocorre a precipitação de carbonato de cálcio (CaCO₃), mineral que preenche e sela as fissuras.
Esse processo é natural, contínuo e pode ocorrer múltiplas vezes ao longo da vida útil da estrutura.
3. Principais tecnologias e materiais utilizados
3.1 Tipos de bactérias
As espécies mais utilizadas são pertencentes ao gênero Bacillus, que apresentam características essenciais para o processo:
Resistência a ambientes alcalinos (pH > 10);
Capacidade de esporulação (sobrevivência em estado latente por anos);
Produção eficiente de carbonato de cálcio.
3.2 Encapsulamento
Para proteger as bactérias e seus nutrientes, técnicas de encapsulamento são empregadas, utilizando:
Cápsulas de sílica gel;
Esferas de polímero biodegradável;
Redes de fibras embebidas em gel.
Essa proteção assegura que as bactérias sobrevivam durante a mistura do concreto e sejam ativadas apenas quando necessário.
3.3 Limitações de abertura de fissuras
Atualmente, a capacidade de "cura" é mais eficaz para fissuras de até 0,8 mm de abertura. Pesquisas buscam aumentar essa capacidade para futuras aplicações em estruturas de maior porte ou submetidas a esforços extremos.
4. Aplicações práticas no mundo real
O concreto autorregenerativo já foi aplicado em:
Túneis ferroviários na Bélgica, expostos a elevadas cargas cíclicas;
Canais de irrigação e obras hidráulicas na Holanda, sujeitos a infiltrações constantes;
Infraestruturas costeiras, como diques e portos, enfrentando salinidade agressiva;
Elementos pré-moldados sujeitos a transporte e montagem em condições adversas.
Grandes centros urbanos e países de clima tropical, como o Brasil, têm enorme potencial de aplicação dessa tecnologia, especialmente em obras expostas a regimes intensos de chuvas, variações térmicas ou em ambientes marítimos.
5. Benefícios e perspectivas futuras
5.1 Vantagens
Redução dos custos de manutenção ao longo do ciclo de vida da estrutura;
Maior durabilidade das edificações, pontes, barragens e outras obras;
Sustentabilidade, minimizando a extração de novos recursos naturais para reparos;
Aumento da confiabilidade em infraestruturas críticas, como hospitais, aeroportos e rodovias.
5.2 Futuro da tecnologia
Pesquisadores buscam, atualmente, desenvolver:
Bactérias geneticamente modificadas para reparos mais rápidos e eficazes;
Sistemas híbridos de cura (bactérias + polímeros);
Concretos inteligentes que comuniquem eletronicamente a ocorrência e o fechamento de fissuras.
O avanço da biotecnologia associada à construção civil projeta um futuro no qual estruturas serão autônomas na sua própria preservação, reduzindo riscos, aumentando a eficiência e trazendo enormes benefícios sociais e econômicos.
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